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Projeto 441-2015 e Projeto 1375-2017

Desenvolvimento Coletivo Naiá 

    Flávia Leme

    Mulheres Recipientes


    Emoção. Flávia se emociona ao narrar um trecho do livro Mulheres que correm com os lobos para as participantes da oficina intitulada, por ela, Mulheres Recipientes. É nítido ver o quão verdadeiro é o que Flávia apresenta: o barro, a mulher e a ancestralidade.

    A oficina conduzida por Flávia é uma extensão da sua pesquisa, que tem início na graduação de arte em 2000, e é pra ela a realização de um sonho "lidar só com mulheres, falando de mulheres com barro".

    A arte e a pesquisa da artista diz muito sobre se fortalecer por meio da compreensão de si. Ela começa de forma intuitiva transferindo para peça de barro 'mulher oca' o vazio de uma relação abusiva. Dessa peça surgiu uma série, uma primeira série de Mulheres Recipientes que posteriormente viraria o seu mestrado.

    Próximo a defesa da sua dissertação, Flávia perde a mãe o que desencadeia uma série de questões profundas e não visitadas até então. Cerca de 4 anos depois uma nova pesquisa surge ainda com a temática do ser mulher, agora, o seu doutorado. Ao revisitar todo o seu processo até ali, e as relações com a mãe e a morte, Flávia se perde, e é então resgatada pelo fazer de uma peça, por nós, vista com sacralidade e de aura mágica: 'Ninfa' , uma vulva alada.

    A artista nos apresenta a peça 'Ninfa' com cuidado, ela é parte do seu altar e símbolo de um processo de cura e reencontro. Foi no rito de moldar 'Ninfa', e após sua queima derramar o próprio sangue menstrual nela, completando a ação ritualística ancestral feminina que Flávia direciona sua pesquisa às questões da ancestralidade, do feminismo e do ritual.

    Agora, como orientadora dos formandos em cerâmica na Escola Guignard, UEMG, Flávia experimenta fortalecer o fazer de outras artistas ao reconhecer no processo criativo algo que vai além da própria arte, que possibilita transformação e assimilação de histórias. Numa ação direta, Flávia se doa pelo afeto, pelo contato, pela presença, pela escuta, pela entrega. Indiretamente, ela doa a partilha, o processo, a pesquisa com a generosidade de permitir fruir cada um a seu modo contribuindo nas pesquisas e nas visitas de outras mulheres com elas mesmas.

    Um trabalho cuidadoso que vale a pena ser visto e vivenciado por aquelas que buscam conexão. "A gente precisa se reconectar e o barro propicia isso".




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